Minha vez de dizer: o que a gente podia ser?

É agoniante nossa situação. É terrível não esperar que nada aconteça mas desejar loucamente que algo venha a acontecer. Não tem jeito. Enquanto estivermos no mesmo lugar, enquanto a gente não odeia um ao outro, ou pelo menos eu venha a te odiar, isso não vai mudar. Porque apesar de saber que 'acabou' eu não sinto isso. Não consigo! Eu sempre espero algo de você... mesmo sabendo que não deveria. Mas não dá. Esse terminar tranquilo, um 'amigo' do outro, falando 'oi' e perguntando se tudo vai bem não me faz acreditar  na sua vontade de não ter nada comigo. Eu não consigo acreditar que você não goste de mim, que você não queira como eu quero. O seu problema é seu medo. Medo de envolver? Medo de se apaixonar?
Menino!!!! Se entregue. 'Entregue-se pr'aquilo que te faz bem.' Eu te faço bem? Você gostava de estar comigo? Se você pensar "SIM' pra essas perguntas não fique ai parado. Por favor. Não me perca assim, por medo. Deixe de covardia.
Palavra forte não é? Mas é a verdade. Covardia, também conhecida como falta de coragem.
Tenha coragem de se entregar, tenha coragem de se envolver. Envolver de verdade! Não falo de me dar uns beijinhos, carinho e só.
Eu falo de esquecer o resto, esquecer os outros (ou melhor, as outras) e tentar algo comigo. Não é se prender a mim. É se envolver comigo. Não é se amarrar, é amar, ou tentar pelo menos. E não precisa de força. Precisa de coragem. Precisa só olhar pra mim e me falar pra ficar do seu lado. Porque eu fico. Eu me entrego. Mas, você tem que querer. Me querer. Só a mim. Me dar a mão, pra eu segurar, não pra  prender. Pra me acompanhar. Você sabe que você 'é assim' mas, se você quisesse tentar, podia dar certo. Você sabe que a gente tem tudo pra dar certo. O que atrapalha é seu medo. Esquece isso, moço.
E se der certo? E se não der certo? Não é o 'e se' que importa agora. Se não der, tudo bem... pelo menos a gente tentou. Eu poderia sair magoada, mas eu não me importaria. Porque pelo menos eu saberia que fomos até o fim, que fizemos de tudo pra dar certo. 
Sairmos magoados seria um final corajoso. 
Mas assim, do jeito que está, é covardia. 

É covardia desperdiçar amor por medo.

'E não tem remédio
E não tem cigarro

Que acalme o diabo de pensar
O que a gente podia ser...'





Pensa nisso. 

Confesso.

Sinto raiva de você, por alguns minutos. Sinto vontade de gritar com você, brigar, te xingar! Mas eu não consigo. Não consigo fazer nada que deveria fazer. Dá última vez que te escrevi, eu me permiti esquecer de você, mas não deu certo. Você sempre aparece quando eu resolvo sumir. Você sempre me faz querer voltar, e acreditar que dessa vez vai dar certo. E você me procura porque sente minha falta. E eu sinto a sua,  todos os dias. Mas você pensa que assim está bom. Não está! Você pensa que quando eu falo contigo, ou te procuro, você não precisa mais se importar em se preocupar comigo até que eu suma de novo. Você só se lembra de mim, quando eu finjo que esqueci você. Mas, quando 'estamos bem' você para e deixa que eu continue. Isso me dói. 
Você me dói. 

Eu não me importo de não te namorar. Não mesmo. Eu me importo de você não agir. Me importa você fazer as coisas de maneira egoísta. Me importa você estar comigo e com ela. Importa eu não saber se afinal você compara ela a mim, ou eu a ela, porque isso faz diferença. Porque, a gente dá certo. Eu te conheço, e te gosto assim, todinho. E eu poderia te odiar. Porque tu é um safado, haha! Mas eu te amo, moço. E a merda é essa. E eu me odeio por te aceitar fazer as coisas assim. 
Ontem eu dormi com o coração partido, e acordei querendo você. Porque? Nem eu sei. Eu só sei que eu deveria te esquecer. Me valorizar, como dizem por aí. Sei lá... mas eu não tô afim. Ainda não. 
Tô afim é de ter pra mim, todinho. 

Só meu. 





Permito-me

Mesmo não querendo, eu me permiti esquecer você. Me permiti não esperar mais nada de você, além de um sorriso de longe, uma companhia na volta pra casa um dia ou outro. Eu não queria. Eu juro que se você tivesse  me pedido, eu ainda estaria se esperando e acreditando que no fim tudo ia dar certo. Mas não, não deu. E eu saí machucada, triste, mas sabendo que eu fiz tudo o que podia pra dar certo. Pena que você não queria que desse certo.
Mas, tudo bem moço, eu gostei de nós por nós dois. E foi lindo enquanto eu pude aproveitar.
Espero que você não me esqueça, mesmo que eu seja só uma pequena lembrança pra você, não me apague totalmente. Lembre que um dia você foi ao menos feliz comigo, que eu te fiz bem por uns dias, que eu vesti aquela sua camiseta velha da sua banda preferida enquanto arrumava sua janela e que eu tinha um cheiro bom.
Porque eu não vou esquecer de você, só vou te guardar.

Ouvir com os olhos.

"De tanto não poder dizer,
Meus olhos deram de falar.
Só falta você ouvir."




(Alice Ruiz)



Só enquanto eu respirar...


Esse é meu vô. Ele faleceu nessa sexta-feira, dia 13, mas isso não faz diferença. Essa é um das pouquíssimas fotos que tenho dele e com ele. Essa foi no último natal. 
Ele nunca foi um homem de muitas palavras e muitos sorrisos e quando eu era pequena eu tinha medo dele, sempre tão bravo e sério. Mas, eu cresci e aos poucos perdi o medo e restou só o amor, e o respeito. 
Eu lembro bem que, até os meus 7 anos de idade meu avô era alcoólatra, estava sempre bêbado e acho que era dai que vinha meu medo. Mas, certa vez, eu me sentei na calçada e fiquei olhando a rua, como sempre gostei de fazer e ele chegou com uma garrafa escondida. Ele a pegou e guardou entre uns arbustos que havia dentro da casa. Quando ele saiu, eu não sei o por quê, ou o que me fez fazer aquilo, mas eu simplesmente fui até o arbusto e peguei a garrafa. Eu a abri e joguei tudo que tinha dentro no chão. E depois senti medo. Muito medo. E fiquei esperando até ele sentir falta, o que não demorou muito. Quando eu o ouvi gritar eu corri pro banheiro, me escondi e chorei. Ele queria me bater. 
Minha mãe veio até a porta e pediu pra eu abrir. Com muito custo e depois de um pouco mais calma eu sai. Meu vô já não estava mais em casa. Tinha ido beber na rua, de raiva. E quando ele voltou, mais bêbado que antes, ele chorava. 
Eu nunca vou esquecer aqueles olhos azuis olhando pra mim, vermelhos e cheio de água.
Ele chorou, ele me abraçou e disse que eu era um anjo. 
Ele me abraçou e chamou todos os netos pra perto dele, e ali, bêbado como estava, ele nos disse "O vovô nunca mais vai beber.", e eu ri, eu e um dos meus primos, rimos e pensamos que ele falava aquilo da boca pra fora, afinal, ele era só um bêbado. 
Meu vô bebia muito e fumava também. E depois disso, ele nunca mais colocou uma gota de álcool na boca. Ele nunca mais acendeu um cigarro. E o meu medo por ele foi passando. 

Ele continuou sendo como era, homem de poucas palavras, meio rude, quieto. Mas, agora era diferente. 
E foi assim até o dia da sua morte. 

Eu me sinto feliz, por saber que eu fiz algo por ele. 
Eu só queria ter dito a ele que eu o amava.  E ainda amo. Mas eu fiquei calada e agora não dá mais pra dizer. 


Vou sentir saudade dos seus olhos azuis.